quarta-feira, 2 de julho de 2014

Almir Silva - “O Alô, Alô Interior”

 
O cearense Almir Silva estourou na comunicação pela Rádio Difusora de São Luiz do Maranhão. Naquela época, final dos anos 50, o sinal desta emissora entrava muito bem em Belém. O programa “Bom dia Maranhão” era sinônimo de audiência e credenciou o comunicador na transferência para a capital paraense nos anos 60.
Considerado um dos maiores nomes da história do rádio no Pará, Almir Silva, também ficou famoso como repórter. Quando trabalhava na Rádio Guajará foi ele quem noticiou em primeira mão as indicações feitas pelo general Taurino Rezende, de Jarbas Passarinho e Alacid Nunes, para ocuparem respectivamente os  governos Estadual e Municipal.

Amigo do Rei

Existem poucos registros da vida deste artista dos microfones. Sabe-se que ele era amigo pessoal do cantor Roberto Carlos. O maior cantor romântico do Brasil, quando iniciou na carreira teve uma viagem cancelada para o Centro-Sul brasileiro quando estava em Belém e ouvindo o rádio reconheceu a voz de Almir Silva por quem o artista já tinha sido entrevistado no Maranhão. E foi com Almir que o então anônimo Roberto conheceu os bares de Belém na época. Depois disto, sempre que passava pela cidade, Roberto, já famoso, deixava avisado para sua segurança que Almir Silva tinha autorização para visitá-lo. Há uma lenda ou verdade de que o falecido radialista Almir Silva, Rádio Marajoara, tenha sido o intermediário para a carta de habilitação de Roberto Carlos. Na verdade, uma “facilitação” devido à perna mecânica e por isso impossibilitado ser habilitado. Naquele tempo não havia, creio, adaptação de carros para deficiente físico, como hoje tem.
Na década de 70 ele fez muito sucesso com o Programa Almir Silva que tocava mais música de forró e músicas de quadrilha, porque a época junina era muito comentada aqui, então tinha esse programa.
Almir escreveu seu nome na história do rádio apresentando o “O Alô, Alô Interior” que foi um dos programas de muita audiência da Rádio Guajará, depois também na Marajoara. Foi no comandado deste programa que Almir Silva criou um estilo próprio, muito irreverente, para transmitir as mensagens. O "Alô, alô interior” foi  o primeiro programa específico para as ondas tropicais por mexer com o interior do Estado.

Irreverência nos microfones
Uma das últimas fotos de Almir - 2002

“A graça do programa era que após quase todas as mensagens, muitas vezes escritas por gente simples, Almir fazia um comentário jocoso. Para a mensagem que dava conta da saúde de Milico, ele reservou uma pérola, hoje inserida na história do rádio paraense.
Foi dizer a mensagem e comentar:- Essa é boa...! É a primeira vez que eu ouço falar de um milico passando mal...
Havia um detalhe: estávamos em plena ditadura militar e os setores de informações, os arapongas, tinham especial atenção pelo programa do Almir, que bem poderia estar mandando mensagens cifradas a perigosos guerrilheiros”.
Horas depois o radialista foi procurado, na emissora, e levado por um oficial e mais quatro militares para o quartel do Exército, para prestar esclarecimentos.  
Donizete Cesar ao lado de Almir Silva
Em 2002 Almir Silva se foi, deixando seu nome escrito entre os maiores radialistas do Pará, em todos os tempos.

7 comentários:

  1. O Almir, se não me falha a memória, costumava iniciar assim o programa: "A benção seu padre! Deus te abençoe, 'Armir!' Filho 'traquino', querido, liso, até demais do vigário!"

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  2. Não, não era assim. Era assim: "A benção seu padre.. Deus te abençoe Almirzinho! Filho querido, liso, REMISTA ATÉ DEMAIS DO VIGÁRIO"!

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  3. Poxa deveriao ter um audio do inicio do programa .. eu quando criança adorava.. escultar.. o programa

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  4. As memórias antigas de nossas rádios são poucas ou quase nenhuma. Eta Brasil de memória curta.

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  5. Deus foi tão bom na minha infância, que permitiu que o velho radio, uma das poucas enranças de meu querido e falecido pai, que tivesse defeito que hoje considero um benção, de só sintonizava a emissora, ouvi muito “O Alô, Alô Interior”

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