domingo, 22 de setembro de 2013

O fenômeno Paulo Ronaldo



 
"Assim como Deus separou a noite do dia, liberta meu corpo da má companhia, pelos poderes de Deus e da Virgem Maria. Saravá, meu pai!"


Era assim que o maior radialista de todos os tempos no Pará iniciava seu programa. De uma família de classe média, com seu estilo agressivo, irônico e inteligente, mas às vezes escrachado, Paulo Ronaldo Mendonça de Albuquerque, ou somente Paulo Ronaldo,  tornou-se o apresentador mais popular (e mais amado) de sua época. Iniciou a carreira tanto no rádio como no jornalismo impresso na década de 60. Entre suas primeiras reportagens para o jornal A Província do Pará (ligado aos Diários Associados), depois de passar pouco tempo no noticioso “O Dia” estava à mudança dos moradores do antigo igarapé das almas por causa das obras da Doca de Sousa Franco.
Paulo Ronaldo assumiu na Rádio Marajaoara AM o programa policial “Patrulha da Cidade”, que surgiu apresentado por Advaldo Castro e Wladmir Conde apresentando as mazelas sociais. Mas foi na apresentação de Paulo que o programa se tornou um fenômeno. Ali ele também apresentou o “Paulo Ronaldo Show”, que era uma mistura. Tinha os quadros hilariantes, tinha também a crônica do dia, tinha a prece, essas coisas todinhas e tinha o programa policial. Tinha a “Dama da Cidade”, a “Ronda da cidade”.

Fazendo escola, até hoje

No final da década de 70, ao se transferir pra a Rádio Guajará, Paulo Ronaldo levou a atração para a nova casa, menos “A Patrulha” que era da Marajoara (onde é apresentada até hoje). Em novo prefixo, Paulo criou o “Alerta Geral” que era um programa policial mais leve, que também tocava música.
Um dos maiores ícones do rádio paraense e que serviu de inspiração para muitos radialistas das gerações seguintes. Ele fez escola, porque ele deixou... Hoje tem muitas pessoas que... Tem o Adonai do Socorro, o Anaice - o Anaisse começou em 79 ou 80 conosco na Guajará – tem o Amauri Silveira, tem Vicente Gama.
Colega de trabalho de Paulo Ronaldo na época, José Travassos dizia com respeito das qualidades do apresentador: “Ele podia não ter voz, mas o que botava para frente era tão grosso, tão forte, que cativava a cidade”. O mesmo carinho era compartilhado por Iracema oliveira, secretária (apelidada de secretária do diabo) e amiga de Paulo Ronaldo. Ela contava que até mesmo os bandidos gostavam do apresentador. Paulo foi um repórter tão amado, muito querido até pela malandragem. Devido ele ter muita vivência no acampamento_ como afirmou Iracema de Oliveira_ então, os bandidos quando ele existia um crime tal ele dizia: “Chama fulano de tal que eu quero falar”. Então, os bandidos vinham se entregar para ele, coisa que nunca se viu. Os bandidos mesmos vinham se entregar porque sabiam que com ele, não ia ter espancamento, não ia ter nada. Então, ele entregava os bandidos à polícia. Às vezes, alguns policiais ficavam com raiva dele, porque ele conseguia bloquear, conseguia furar tudo. 
Paulo Ronaldo entrevistando moradores na comunidade do Igarapé das Almas, onde hoje é a Doca de Souza Franco.
Últimos momentos

A popularidade de Paulo Ronaldo era tanta, que nas eleições de 1970 para a renovação da Assembleia Legislativa, ele foi eleito pelo MDB o candidato mais votado, com 13.780 votos.
Mesmo estando a imprensa constantemente ameaçada pela censura, Paulo Ronaldo manteve seu jornalismo crítico, desafiando o regime militar e, por isso, foi preso duas vezes. A primeira, sob a acusação de insuflar a greve dos motoristas e, a segunda, por denunciar as torturas e assassinatos praticados pelo esquadrão da morte. Paulo Ronaldo tinha como provas o testemunho do caseiro do lugar onde eram praticadas as torturas e fotos de pessoas espancadas. Esses documentos desapareceram na ocasião do processo. Ele ficou seis meses  encarcerado no quartel da Polícia Militar, uma experiência da qual Paulo Ronaldo nunca se refez, segundo a secretária Iracema Oliveira. Tal prisão provocou uma imensa revolta popular.
Um ataque cardíaco o fulminou durante uma pelada de futebol de fim-de-semana em um campinho da Avenida Nove de Janeiro. Como assiduo frequentador de umbanda Paulo subiu entre atabaques e turíbulos no dia 21 de setembro de 1980, uma das datas em que se comemora o dia do radialista.

5 comentários:

  1. Muito bom saber das histórias desse grande radialista q tenho o maior orgulho de dizer q foi meu pai...

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    1. Nossaaa.... Paulo Ronaldo, Costa Filho, Oséas Silva, Clodomir Kollynos alguém sabe desse homem? Tacimar Cantuária, Gostava muito das reportagens da Leny Sampaio mas isso era da televisão!
      Madeiraaa em cima dele... tinha um programa que começava assimrsrsrs
      Sai sai sai boas noite meus senhores, sai sai sai boa noite peço licençakkkkk OMG!!!

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  2. PARABÉNS PELO CRIADOR DESSE BLOG MUITO BOM!!!

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  3. E OS RADIALISTAS WLADMIR CONDE E RONALD PASTOR, POR ONDE ANDAM?

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  4. Alguém lembra do tema de abertura do programa Paulo Ronald show?

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